sábado, 26 de fevereiro de 2011

Descobrir o Tarot com as Lendas Arturianas: A Morte

The Arthurian Tarot, Anne-Marie Ferguson

Nuvens de tempestade dão forma a Gwyn ab Nudd e a sua Caçada Selvagem. As ruínas do castelo representam o fim de uma era. A sua destruição força o crescimento e a mudança para um estilo de vida mais apropriado.

Acreditava-se que Gwyn ab Nudd comandava os ventos da mudança. Ao evitar-se uma mudança necessária, tenta-se a mão destino que pode, de repente, tudo abalar e destruir, como um raio.

Gwyn transporta uma trompa para reunir a sua tropa das trevas. É o sinal de aviso para o que se aproxima. Aqueles há que sentem no ar a tensão da tempestade vindoura e que se preparam.

A árvore sem folhas indica a estação - o tempo das trevas, o reino de Gwyn ab Nudd. A passagem por este tempo de sombras traz o discernimento e a percepção. O véu entre este mundo e o outro é ténue; depois da noite, vem a aurora.

Não importa se príncipe ou mendigo, a morte é a grande niveladora, simbolizada pelos esqueletos - todos iguais.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Gwyn ab Nudd e a Caçada Selvagem



Gwyn, filho de Nudd, é o Caçador Selvagem, Deus dos Mortos. Caçador e guerreiro, ele é o Senhor do Submundo. Avistar-se a Caçada Selvagem nos céus, formada pelas nuvens da tempestade, é sinal de morte iminente pois é Gwyn que recolhe as almas dos mortos.

A sua companhia fantasmagórica era composta por homens caídos em batalha e acompanhada por mastins de orelhas vermelhas (cwn Wyhir). Os cavaleiros da Caçada Selvagem estavam encarregues de proteger os mortos. Com cascos ribombantes e trompas ensurdecedoras afastavam o mal.

Glastonbury era onde Gwyn e o seu exército de espectros tomavam refúgio. Dizia-se que através do Tor se acedia ao Outro Mundo.



De acordo com a Crónica Anglo-Saxã, Artur acompanhou Gwyn na sua Caçada Selvagem. Também na história de Creiddylad cruzam caminhos. Gwyn apaixonou-se por Creiddylad mas esta está prometida a Gwythr, filho de Grweidawl. Desesperado, Gwyn rapta a bela Creiddylad. Artur vai no seu encalço e monta cerco à sua fortaleza. Acaba por ser acordado que Gwyn e Gwythr lutarão pela mão de Creiddylad. A batalha tomará lugar no primeiro de Maio e repetir-se-á até ao final dos tempos, sugerindo a luta anual entre o Inverno e o Verão pela posse da terra.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Presente de Luz

A querida Roberta Maia, do Blog Luz, ofereceu-me este presente carinhoso. Desejo partilhá-lo com todos os que lêem  e apreciam a Ilha Afortunada. Sintam-se livres para o compartilharem da forma que quiserem!

OBRIGADA!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

As Gallizenae

No ano de 44 d.C., Pomponius Mela, um cidadão romano de origem hispânica, descreveu uma ilha, a oeste da atual Bretanha francesa, habitada por nove sacerdotisas virgens, as Gallizenae. Dizia-se que elas eram capazes de predizer o futuro, mudar de forma física, curar todo tipo de doenças, e comandar os ventos e as ondas do mar por meio de encantamentos mágicos. A Insula Sena, ou Ilha de Sena, era um santuário no mar diante do território dos Osímios, um dos quatro povos celtas que habitavam a Armórica, ou Bretanha francesa. Nesse santuário, as Gallizenae dedicavam-se ao culto de uma divindade gaulesa, cujo nome não é mencionado por Mela.

As Danaides, de John William Waterhouse

As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon (The Mists of Avalon) é um filme de 2001, feito especialmente para a televisão, realizado por Uli Edel e com argumento baseado na obra The Mists of Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Apesar de inspirado no livro de Bradley, o filme mostra diferenças significativas a nível do desenvolvimento da intriga e da composição de personagens.


Música de Loreena Mckennit

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lutey e a Sereia



Há muito tempo, os pescadores da Cornualha costumavam vasculhar os restos de navios afundados lançados à praia em busca de objetos de valor. Um dia, Lutey de Cury achou uma adorável sereia encalhada numa das muitas poças entre as rochas formadas pela maré alta. Era uma criatura muito bonita e facilmente convenceu Lutey a levá-la para o oceano na maré baixa. Aninhada no seu colo, ela ofereceu-lhe três desejos por sua gentileza e ele, que era um homem bom, escolheu primeiro ter o poder para quebrar feitiços, segundo, ter o poder para obrigar os familiares da bruxa a praticarem o bem para os outros e, terceiro, que esses dois poderes fossem concedidos aos seus descendentes.

A sereia concedeu esses desejos com alegria e, por ele ter escolhido sabiamente e sem egoísmo,  acrescentou mais dois dons - primeiro, que nenhuma sereia jamais o quisesse, e segundo, seu pente mágico, para que ele a chamasse sempre que precisasse. Ele agradeceu-lhe muito e levando-a sem muito esforço, caminhou na direcção do mar,

Lutey era um homem bonito e forte. Na verdade, a sereia era uma criatura muito bela, os seus cabelos sedosos, claros como uma cascata de prata, olhos verdes grandes e uma voz cristalina de muita doçura. Quando eles finalmente chegaram à beira da água , ela pediu a Lutey que entrasse um pouco mais com ela na água. A sereia segurava-o com força pelo pescoço. Ele baixou-se para colocá-la na água. A sua voz era tão macia e o movimento de seu corpo tão suave nos seus braços que Lutey entrou sem medo no mar e ter-se-ia se perdido para sempre se o seu cão não tivesse latido freneticamente da praia, fazendo-o lembrar-se da sua esposa e filhos queridos. Mas a sereia segurava-o com mais força e tê-lo-ia arrastado para o fundo do mar se ele não tivesse desembainhado a sua faca e a ameaçado.

A faca era de ferro, um metal repulsivo ao povo do mar, e ela fugiu para o oceano, falando enquanto ia:
"Adeus! Adeus!
Cuida-te bem, meu amor!
Nove longos anos, por ti esperei
Leva-me no teu coração, meu amor
E então voltarei!"

Todos os desejos de Lutey tornaram-se reais, a sua família e os seus descendentes tornaram-se curandeiros ilustres. Mas a promessa da sereia também se tornou real, pois, após nove anos, a contar do dia em que Lutey se livrou dela, ela voltou. Ele estava a pescar com um dos seus filhos, quando ela surgiu da água, agitou os cabelos sedosos e acenou. Lutey virou-se para o filho e disse: "Está na hora. Devo pagar a minha dívida". Não parecia nem um pouco infeliz quando mergulhou nas profundezas verdes com a sua amada de voz suave. Dizem também que, desde então, a cada nove anos, um Lutey de Cury se perde no mar. Mas ninguém sabe se eles partem tão felizes quanto o primeiro Lutey.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ride Si Sapis: Sir Robin


Monty Python - The Holy Grail (The tale of Sir Robin)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Castelo Perigoso


Heraldic Chivalry, Alfons Mucha

Desejoso de combater com os melhores cavaleiros de Artur, Ironside, o Cavaleiro Vermelho, aprisionou a bela Lady Lyone no Castelo Perigoso. Estava convicto de que este acto iria chamar a atenção dos cavaleiros.

Durante os dois anos seguintes, muitos foram os cavaleiros que tentaram em vão libertar a formosa donzela.
Ironside aguardava ainda a vinda dos melhores dos melhores: Lancelot, Gawain e Tristão. Linet, a irmã de Lyone, dirigiu-se a Camelot e pediu ajuda a Artur. Este encarregou Gareth da empresa. Linet, assim como a maioria da corte, desconhecia a verdadeira identidade do jovem (era o irmão mais novo de Gawain) e julgou-o unicamente pela aparência - a de um serviçal das cozinhas.

Apesar dos insultos constantes da donzela, Gareth procedeu sempre de modo cortês, determinado a provar o seu valor. Ao atravessar a Passagem Perigosa, derrotou o Cavaleiro Negro, o Cavaleiro Azul e o Cavaleiro Verde, mas Linet permaneceu desdenhosa.

Quando se aproximarem do Castelo Perigoso, depararam-se com uma visão aterradora. Dependurados nas árvores estavam os corpos de quarenta cavaleiros, os bravos e nobres guerreiros que tinham vindo em busca de glória. Gareth desceu do seu cavalo e soprou no corno de marfim, assinalando a sua presença ao Cavaleiro Vermelho e desafiando-o.

O combate iniciou-se pela manhã e ao entardecer, ambos os cavaleiros estavam tão enfraquecidos que mal se sustinham. Gareth conseguia ver Lyone a chorar à janela. Sentindo o olhar do jovem cavaleiro, a moça fez-lhe uma vénia. Imediatamente o coração do mancebo saltou e, com renovado vigor, derrotou Ironside.

O Cavaleiro Vermelho implorou piedade e confessou que os seus terríveis actos tinham sido cometidos por amor de uma mulher. A dama em questão julgava o seu irmão morto às mãos de Lancelot ou de Gawain, e Ironside entendeu que, para ganhar a sua afeição, teria de empreender vingança contra os cavaleiros da Távola Redonda.

Gareth replicou que, se Lady Lyone o consentisse, pouparia a sua vida e mandá-lo-ia para Camelot, ficando à mercê de Lancelot e Gawain. E assim foi que Ironside foi poupado e, depois de expiar os seus pecados, jurou lealdade a Artur.

Descobrir o Tarot com as Lendas Arturianas: O Dependurado

Anna-Marie Ferguson, The Arthurian Tarot

Os candidatos a heróis de Lady Lyone oscilam nas árvores, incapazes de a libertarem, e sequer a si mesmos. Como era o costume, ambas as mãos e uma perna estão amarradas atrás das costas, representando a restrição e a limitação de poderes.

A ferida da batalha e a mancha de sangue marcam o enfraquecimento das defesas e lembram que os níveis de energia estão baixos. Apesar da valentia, a jornada tem sido dura e esgotante, como se pode verificar pela cota de malha danificada e as esporas restorcidas.

Ser dependurado numa árvore evoca a lenda do Deus Nórdico Odin, que se enforcou na Árvore da Vida durante nove dias. Escolheu o auto-sacrifício a fim de aprender os segredos das runas. A deprivação sensorial que vem com a restrição altera o estado da consciência e aprofunda a percepção. Quando não é possível progredir externamente, uma viagem interior é requerida.

É altura de examinar os velhos hábitos que já não são proveitosos. A árvore ganha musgo e o nevoeiro paira - sinais de estagnação. A única vida que brota é a de uma mandrágora, aos pés da árvore. Acreditava-se que esta planta assinalava o local de um enforcamento.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

No ventre


Imbolc é o Sabbat que celebra a Deusa na sua forma de noiva do Deus Sol, sendo também conhecido como "o dia da noiva". A fertilidade da terra só será celebrada em Beltane (1 de Maio), mas o seu prenúncio já é lembrado nesta data.

Imbolc é uma palavra do antigo irlandês que significa "no ventre". Oimlec significa "leite de ovelha" porque esta é a época em que nascem os cordeiros. As ovelhas eram particularmente importantes para a sociedade celta (carne, leite, lã e peles, tudo no mesmo animal).

É também a festa da deusa celta do fogo, Brigid, que rege a metalurgia, a poesia, a inspiração, a divinação e a cura. O fogo de Brigid é o símbolo da transformação, da energia vital do nascimento e da cura, que também pode ser o fogo da forja (a criação) e o fogo da inspiração poética. Por isso, este dia é celebrado com o fogo, sob a forma de velas acesas e fogueiras. Antes da cristianização, as sacerdotisas de Brigid mantinham uma chama sempre acesa em sua honra. Depois, a igreja dedicou este dia à benção das velas que iriam ser usadas na liturgia do ano seguinte, de onde vem o nome Candlemas.

A Igreja Católica também chamou a esta data "o dia da purificação da Virgem Maria" porque, segundo a tradição judaico-cristã, as mulheres ficavam impuras durante seis semanas após darem à luz, portanto esta seria a data em que Maria (tendo parido no Solstício de Inverno) se teria purificado.

De acordo com a tradição, coloca-se uma vela acesa em todas as janelas da casa, que começam a arder ao pôr do Sol de dia 1 de Fevereiro, para se extinguirem só na alvorada. Também se incluem na tradição as "cruzes de Brigid", tecidas com palha ou feno, que se penduram fora de casa para protecção, os novos canteiros que se semeiam nesta noite, dedicados à fertilidade da mente e do corpo, e as coroas de luz feitas com velas acesas.

Fevereiro, do latim Februum, é uma palavra que significa purificação, sendo este mês o da "limpeza". As águas das represas são de novo libertas (Brigid é também a deusa das fontes e poços sagrados). A Deusa retoma o aspecto da Donzela.
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